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Reiki

Quais as Diferenças Entre Reiki Nível 1, 2 e 3?

Validado por Cláudia Camacho

Cláudia Camacho

Terapeuta e Mestre de Reiki

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Maio 6, 2026 | Leitura 9 min |
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O Reiki é uma prática estruturada em níveis de aprofundamento progressivo. Cada um representa uma etapa distinta, tanto em termos de técnica como na relação que o praticante desenvolve com a energia, consigo próprio e com quem recebe as sessões. Compreender o que distingue o Nível 1 do Nível 2, do Nível 3 e da Mestria é útil para quem está a pensar iniciar a formação, mas também para quem já pratica e quer situar melhor o seu percurso.

Como o Reiki está organizado por níveis

Existem várias linhagens e escolas de Reiki, com pequenas variações na forma como estruturam a aprendizagem. A abordagem que adotamos na Deusto Saúde inscreve-se na tradição do Reiki Transpessoal, uma corrente que mantém os fundamentos da tradição Usui mas integra o trabalho com os diferentes corpos (físico, emocional, mental e espiritual) de uma forma muito explícita. Cada nível corresponde, por isso, ao trabalho com uma camada específica do ser e à introdução de um símbolo central que apoia esse trabalho.

Esta progressão não é arbitrária. Cada nível parte do anterior e pressupõe que o praticante integrou, na prática e no dia a dia, o que aprendeu antes. É por isso que se recomenda um intervalo entre níveis: não por formalidade, mas porque o Reiki trabalha também a um nível pessoal, e essa assimilação leva tempo. Quem tenta saltar etapas costuma perceber, mais cedo ou mais tarde, que o caminho não tem atalhos.

Nível 1: O corpo físico e o símbolo Cho-Ku-Rei

O primeiro nível é o da descoberta. O foco está no corpo físico: como funciona a energia vital (ki) ao nível material, como se percebem as sensações durante a prática, como o Reiki começa a influenciar o dia a dia de quem o pratica.

Nesta etapa, o praticante recebe a primeira iniciação, o processo pelo qual o Mestre ativa a sua capacidade de canalizar energia. Recebe também o primeiro símbolo: o Cho-Ku-Rei (CKR), frequentemente descrito como o símbolo que potencia e direciona o fluxo de energia. É o símbolo mais associado ao trabalho com o corpo físico e à imposição das mãos, e funciona como uma espécie de "interruptor" que intensifica a presença da energia no momento da sessão.

A par do símbolo, o Nível 1 introduz um conjunto de fundamentos que sustentam toda a prática posterior: a história e a evolução do Reiki desde Mikao Usui, os cinco princípios (que orientam a postura ética do praticante), a estrutura energética dos chakras, a importância da meditação e as primeiras posições de imposição das mãos.

Para quem quer simplesmente incorporar o Reiki como prática de autocuidado, o Nível 1 pode ser suficiente. Para quem perspetiva um percurso mais longo, é o alicerce sobre o qual tudo o resto se constrói.

Nível 2: O corpo emocional e o símbolo Sei-He-Ki

O segundo nível desloca o foco para o corpo emocional. É a etapa em que se trabalha mais diretamente com aquilo que está sob a superfície: padrões emocionais, ansiedade, bloqueios afetivos, situações por resolver. O símbolo central é o Sei-He-Ki (SHK), que tradicionalmente se associa à harmonização emocional e mental.

Esta é, para muitos praticantes, a etapa mais transformadora. O trabalho deixa de ser só com o corpo físico e passa a tocar camadas mais subtis, onde residem reações automáticas, crenças sobre nós próprios e histórias que carregamos sem nos darmos conta. Não é por acaso que quem acompanha o percurso de vários praticantes nota que o Nível 2 traz, com frequência, mudanças mais visíveis do que o próprio Nível 1.

A partir do Nível 2, o praticante desenvolve também as competências para preparar e conduzir sessões de Reiki para outras pessoas com maior intencionalidade. Aprende a "centralizar-se" antes da sessão, a preparar o espaço, a iniciar o trabalho com o recetor de forma cuidada. Continua a ser um percurso de aprendizagem, não um momento de afirmação profissional, mas marca claramente a abertura da prática ao outro.

Nível 3: O corpo mental, o Hon-Sha-Ze-Sho-Nen e o Reiki à distância

O terceiro nível trabalha o corpo mental. É a etapa em que se exploram memórias, crenças, padrões de pensamento e a relação entre o que se pensa, o que se sente e o que se manifesta no corpo. O símbolo introduzido é o Hon-Sha-Ze-Sho-Nen (HSZSN), conhecido também como o símbolo da distância, embora o seu alcance vá muito para além disso.

A novidade mais visível deste nível é, de facto, o Reiki à distância. A ideia de que é possível enviar Reiki sem contacto físico, seja a uma pessoa noutro local, seja a uma situação passada ou futura, implica uma compreensão da energia que vai além da experiência sensorial imediata. Para quem chega aqui, costuma ser o momento em que a prática se abre a uma dimensão que antes parecia abstrata.

Mas o Nível 3 não é só sobre distância. É também o nível em que se trabalha de forma mais explícita com a integração do mental: como certas memórias e crenças se inscrevem no inconsciente, como elas alimentam o stress quotidiano, como podem ser reeducadas. Surge aqui a ligação à programação neurolinguística (PNL) e a um trabalho mais ativo de transformação interna, em que o praticante deixa de ser apenas canal de energia e passa também a acompanhar processos de mudança em si próprio e nos outros.

Os princípios herméticos, o yin-yang e outras simbologias mais antigas entram também nesta etapa, dando um enquadramento filosófico mais amplo à prática. É um nível mais denso conceptualmente, e isso reflete-se na forma como muitos praticantes o descrevem: menos espetacular do que o Nível 2 em termos de sensações, mas mais profundo em termos de compreensão do que o Reiki é e do que pode fazer.

Artigo relacionado: Posso trabalhar com Reiki? O que saber para ser terapeuta

A Mestria: Dai-Ko-Myo, Raku e a transmissão

A Mestria não é apenas "mais um nível": representa a etapa de maior responsabilidade no caminho do Reiki e implica um compromisso que não se assume de forma leviana.

Aqui o praticante recebe os símbolos da mestria, o Dai-Ko-Myo (DKM), frequentemente descrito como o símbolo da iluminação ou do "grande brilho", o Shuhan (a união entre o velho e o novo) e o Raku, aprofunda a compreensão de toda a simbologia trabalhada anteriormente e adquire a capacidade de realizar iniciações e ensinar outros praticantes. É também aqui que se trabalham os mantras, com destaque para o "om", e a cerimónia de abertura dos chakras.

Tornar-se Mestre de Reiki não significa ter atingido uma qualquer perfeição técnica. Significa assumir um compromisso com a prática, com o desenvolvimento contínuo e com a responsabilidade ética de transmitir ensinamentos a outros. É um papel que, na tradição que seguimos, exige maturidade pessoal e espiritual, não só anos de prática.

Há quem chegue à Mestria e nunca chegue a ensinar, dedicando-se sobretudo a um trabalho pessoal mais profundo. E há quem, a partir da Mestria, faça da partilha do Reiki o centro do seu percurso, acompanhando outros nas suas próprias jornadas de autoconhecimento. As duas opções são legítimas, e ambas pressupõem um nível de integração que, pela natureza do que é trabalhado, leva tempo a chegar.

A iniciação: o fio que atravessa todos os níveis

Em cada nível existe um momento central chamado iniciação (ou attunement, no termo anglófono que também circula). É um processo conduzido pelo Mestre pelo qual o praticante recebe uma ativação específica que corresponde a esse grau de aprendizagem.

A iniciação não é um ritual decorativo. Na tradição Reiki, é o que distingue a prática formal de uma simples imposição de mãos sem preparação. É através dela que o canal energético do praticante é aberto ou aprofundado para o nível correspondente. Cada uma tem uma qualidade própria: a do Nível 1 abre a ligação ao corpo físico; a do Nível 2 aprofunda o trabalho emocional com o Sei-He-Ki; a do Nível 3 expande para o mental e para a dimensão à distância com o Hon-Sha-Ze-Sho-Nen; e a da Mestria conecta o praticante à plenitude da tradição e à responsabilidade de a transmitir.

Da prática pessoal à mestria: um percurso gradual

Uma das características mais interessantes do Reiki é a forma como os níveis correspondem a diferentes relações com a prática, e não apenas a diferentes capacidades técnicas.

No Nível 1, a prática é essencialmente pessoal e ancorada no corpo físico. No Nível 2, abre-se ao trabalho emocional e começa a estruturar-se como acompanhamento ao outro. No Nível 3, integra a dimensão mental, a distância e um conjunto mais amplo de ferramentas de transformação. Na Mestria, o praticante torna-se também responsável por um legado que recebeu e que pode agora transmitir.

Esta progressão significa que é perfeitamente razoável demorar meses, ou mesmo anos, entre níveis. Não há pressa, e forçar a progressão sem que a integração aconteça pode comprometer a qualidade da prática. O Reiki, como outras abordagens de bem-estar holístico, beneficia de ser vivido com tempo, não calendarizado como um curso a despachar.

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O que muda entre níveis e o que permanece

Há aspetos da prática que se mantêm constantes ao longo de todos os níveis: a postura ética, o respeito pelo recetor, a atenção ao próprio equilíbrio energético, a vivência dos cinco princípios. O que muda é a profundidade do acesso, a camada do ser que está em foco em cada etapa (físico, emocional, mental, espiritual), os símbolos que se vão integrando e a dimensão da responsabilidade assumida.

Para quem está a considerar iniciar este percurso, com interesse pessoal ou com a perspetiva de um percurso mais longo, o curso de Reiki da Deusto Saúde abrange estes quatro momentos de forma estruturada e progressiva, integrando a tradição com as ferramentas complementares que o Reiki Transpessoal naturalmente dialoga.

O Reiki é, no fundo, uma prática que cresce com quem o pratica. Os níveis não são apenas etapas de formação, são marcos de uma relação que, para muitos, se torna parte integrante da forma como vivem e cuidam dos outros.

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